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04 abril 2013

A hora de a Kombi beber água


Dois pra lá, dois pra cá, os coletores identificam o boxer 1600

É como um filme mal dublado: você gira a chave no contato e eis que surge um ronco uniforme e silencioso. Na Kombi? É uma sensação estranha, não importa quanto você tenha se preparado para este momento. A cara e a voz da velha senhora são indissociáveis desde sempre. Para ser exato, há 55 anos e seis meses. As duas primeiras unidades desembarcaram no Brasil em setembro de 1950, oito meses depois de começada a produção na Alemanha. Antes da Guerra Fria, do homem na Lua, da TV colorida, da pílula anticoncepcional, do satélite. Ela é do tempo do motor refrigerado a ar.

A velha Kombi morreu pela boca. Sua cantoria é 2 dB mais alta que o permitido pelo Proconve para utilitários fabricados a partir de janeiro. A Volkswagen pensou em pôr mais forração antiacústica, mas seria paliativo, porque em 2007 entram em vigor novas regras antipoluição. Essas seria mais difícil atender: o teor de hidrocarbonetos do motor 1600 é 45% acima do que será permitido. Além disso, a Kombi "a ar" teria dificuldades em aderir à onda flex. O barulho é tanto que confunde o sensor de detonação, bastante exigido num bicombustível. Era hora de partir para o transplante.

A velha senhora recebeu o motor 1.4 usado no Fox de exportação. É um coração jovem, com balancins roletados, coletor de admissão de plástico, tuchos hidráulicos, acelerador eletrônico e injeção bicombustível. A refrigeração é a água, claro, e isso obrigou a Volkswagen a trazer de volta o radiador na dianteira. "Trazer de volta" não é força de expressão. "Recuperamos as ferramentas que faziam a frente da Kombi 1.8 refrigerada a água, que era exportada para o México nos anos 80", diz Holger Westendorf, vice-presidente de desenvolvimento de produto. A grade de plástico é diferente da usada na nossa Kombi a diesel - aquela que saiu de linha em 1985, cercada de críticas ao sistema de refrigeração. Segundo o gerente de engenharia João Alvarez Filho, a culpa não era do radiador, e sim do filtro de ar.

Vai que ela ferve?
 
Mas para afastar de vez as más recordações da versão diesel, em homenagem ao público que cresceu lendo em anúncios que "o ar não ferve", a Volkswagen bem poderia pôr um termômetro de água. Espaço não falta no novo painel de instrumentos (que também veio do Fox e tem sinais eletrônicos no lugar do velocímetro por cabo). Em vez disso, há uma luz-espia que avisa quando o carro está com sede. Segundo a fábrica, ver que o motor trabalha a 90 graus Celsius não era prioridade nas pesquisas de público. Ou até era, mas havia outra maior: o custo final. Apesar das mudanças, a Kombi 1.4 Total Flex será vendida pelo mesmo preço da antiga 1600. "Não posso falar em cifras, mas foi um projeto bem barato", diz Westendorf.

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Créditos: Quatro Rodas

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